A displasia de quadril é uma condição que muitos carregam por anos e até décadas sem saber. Ela pode ser rastreada na infância, mas casos mais leves passam despercebidos. O resultado disso é que o paciente só percebe os sinais na vida adulta, já com dor no quadril e início de desgaste da articulação.
Se você sente dor na virilha, desconforto ao caminhar por longos períodos ou rigidez no quadril ao acordar, convém entender o que está por trás dos sintomas. Isso porque a displasia pode ser a causa, e quanto mais precoce for o diagnóstico, maiores as chances de tratamentos menos invasivos. Entenda abaixo a condição:
Displasia de quadril: o que é, sintomas e mais
O quadril é uma articulação que funciona em um modelo do tipo “bola e encaixe”. Nela, a cabeça do fêmur (a parte arredondada do osso da coxa) se encaixa completamente dentro do acetábulo (cavidade no osso da bacia). Na displasia, porém, esse encaixe do quadril é raso ou mal orientado, fazendo com que a cabeça do fêmur não tenha a “cobertura” ideal.
Na imagem, é possível ver como o quadril funciona como um encaixe perfeito entre a cabeça do fêmur e o acetábulo.
Esse desalinhamento pode ser sutil, mas tem consequências progressivas. Por conta dele, a carga que a articulação recebe não se distribui de forma uniforme e se concentra em uma área pequena. Com o tempo, essa pressão excessiva desgasta as estruturas do quadril, especialmente a cartilagem e o lábio acetabular (anel de tecido que envolve a borda da cavidade na bacia).
Quando o lábio se sobrecarrega, ele pode se romper. Já a cartilagem, quando fica sob pressões que não deveria suportar, começa a se degradar. Se isso se mantém sem tratamento por muito tempo, o paciente pode ter artrose precoce no quadril, uma das principais motivações de cirurgia de prótese total de quadril antes dos 50 anos.
No vídeo abaixo, explico mais sobre a artrose no quadril:
Causas da displasia de quadril
A displasia acontece quando a articulação do quadril não se desenvolve como deveria ainda em sua formação. As causas são multifatoriais e podem envolver fatores genéticos, mecânicos e hábitos pós-nascimento que contribuem para a malformação. Ele não é, portanto, um problema que surge na vida adulta – mas pode perdurar ou até passar despercebida.
Sintomas de displasia do quadril em adultos
A displasia no quadril em adultos nem sempre gera sintomas claros. Em muitos casos, eles surgem de forma gradual e podem levantar suspeitas de outras condições ortopédicas. Quando aparecem, eles podem incluir:
- Dor na virilha especialmente após atividades físicas ou períodos longos em pé;
- Desconforto ao ficar sentado por muito tempo;
- Sensação de “clique”, travamento ou instabilidade na articulação;
- Dificuldade para fazer certos movimentos, como cruzar as pernas ou subir escadas;
- Claudicação (ato de mancar) em casos mais avançados.
A dor no quadril que a displasia causa tende a piorar de forma progressiva. Ela começa como um incômodo leve e pode evoluir para uma limitação funcional importante, especialmente se o desgaste precoce do quadril já estiver acontecendo.
Tratamento de displasia no quadril
O tratamento dessa condição depende da idade do paciente, da gravidade da displasia e do estado da cartilagem. Aqui, não existe uma abordagem única e, por isso, a avaliação individualizada é essencial. As abordagens terapêuticas se dividem em:
Tratamento conservador
Casos leves, com poucos danos à articulação e cartilagem preservadas podem pedir apenas acompanhamento, sem necessidade de cirurgia. Além disso, o especialista pode recomendar:
- Fisioterapia com foco em fortalecimento dos músculos do quadril e do core;
- Ajustes das atividades físicas para reduzir o impacto na articulação;
- Uso de anti-inflamatórios em fases agudas;
- Infiltrações no quadril, que podem aliviar a dor e reduzir a inflamação.
É importante frisar que o tratamento conservador não corrige o problema, que é estrutural, mas alivia os sintomas e pode retardar o desgaste. Nesses casos, o acompanhamento regular deve seguir para monitorar a evolução da condição.
Cirurgia para displasia no quadril
Quando a displasia é moderada ou grave, inclui lesão de estruturas ou quando os sintomas não respondem ao tratamento conservador, a cirurgia passa a ser uma opção. As técnicas mais comuns incluem:
Osteotomia periacetabular (PAO)
Essa é a principal cirurgia para displasia no quadril em adultos jovens que têm a cartilagem preservada. Nesse procedimento, o especialista reposiciona o acetábulo para melhorar a cobertura da cabeça do fêmur e redistribuir a pressão sobre a articulação. O objetivo, aqui, é preservar o quadril por mais tempo, retardando ou evitando a necessidade de prótese.
Artroscopia do quadril
Esse procedimento minimamente invasivo é uma opção para tratar lesões do lábio acetabular e da cartilagem, quadros que costumam acompanhar a displasia. Em alguns casos, ela pode acontecer junto com a osteotomia.
Prótese total de quadril (artroplastia total)
A artroplastia total no quadril é uma opção quando o desgaste articular já é grave e as cartilagens não podem mais ser preservadas. É a solução para casos de artrose precoce no quadril em estágio severo. Aqui, o cirurgião remove a cabeça do fêmur e a superfície onde ele se encaixa, implantando uma prótese que reproduz o movimento natural do quadril.
Olhar de um especialista em quadril pode melhorar o prognóstico
A displasia de quadril pode ser desafiadora de manejar. Isso porque ela envolve um diagnóstico preciso, uma leitura criteriosa do exame de imagem e, acima de tudo, uma decisão terapêutica acertada, levando em conta o grau da condição e o nível de desgaste. Aqui, identificar a displasia cedo e tratá-la adequadamente pode permitir que o paciente preserve o quadril e não precise de uma prótese precocemente.
É por isso que o ortopedista especialista em quadril tem um papel fundamental no tratamento da condição. É esse o especialista que acompanha o estado clínico do paciente, faz o planejamento individualizado e escolhe o melhor momento para uma intervenção, seja ela conservadora ou cirúrgica.
Se você se identifica com algum dos sintomas de displasia do quadril descritos aqui, é importante buscar um ortopedista de quadril ou especialista em quadril em Itu.
Sobre o Dr. Carlos Eduardo Ribeiro
O cirurgião de quadril Dr. Carlos Eduardo Ribeiro é ortopedista e traumatologista com especialização em cirurgia do quadril e terapias regenerativas. Ele coordena o Serviço de Ortopedia da Santa Casa de Itu.
Ele é referência em tratamento de quadril em Itu e região, atuando desde o diagnóstico até o acompanhamento e, quando necessário, intervenções como infiltrações, artroscopias e artroplastias totais.
Mais sobre displasia de quadril
A displasia é uma condição estrutural presente desde o nascimento ou dos primeiros meses de vida. Ela não surge na vida adulta, mas casos leves podem não ser percebidos no rastreio neonatal e só se manifestam ao longo dos anos, conforme o desgaste avança. Isso porque, com o passar do tempo, a demanda física do corpo aumenta – e o comprometimento articular, também.
Não, casos leves com preservação mínima das estruturas da articulação podem pedir apenas acompanhamento e tratamento conservador. A indicação da cirurgia envolve um desgaste maior, lesões, progressão grave dos sintomas, risco elevado de artrose ou falha das terapias conservadoras. Por esse motivo, os casos da condição exigem avaliação individualizada.
O primeiro passo é buscar um ortopedista especialista em quadril. Na consulta, o especialista faz um exame físico e pede exames de imagem (como radiografia da pelve). A partir disso, ele avalia se o problema existe e qual seu grau de avanço. Em termos de percepção pessoal, sintomas como dor na virilha e desconforto no quadril são importantes de se investigar.



